segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008

Receita da Vida

500 gramas de dor
500 gramas de mal
50 gramas de amor
E raiva serve de sal

4 colheres de tortura
Outras tantas de tormento
Leva uma de ternura
A simular o fermento

Muita raspa de vaidade
Um bocado de traição
A que se junta maldade
Que nos possa encher a mão

Um pedacinho de medo
Que dá a cor e o contraste
De bondade leva um dedo
De alegria quanto baste

De trabalho quanto valhas
De pratos mil para o molho
De desgraça ponha ao calhas
E de sorte ponha a olho

1/2 litro de desgosto
1 quilo de coisas más
E no fim a dar gosto
Uma pitada de paz

Mexa a massa bem mexida
Leve ao forno muito quente
E eis o bolo da vida
Que a vida serve a gente

1 comentários:

Anónimo disse...

Ladies and gentlemen, Miguel Torga surgiu dos mortos! Este poema tá EXCELENTE. Quem me dera escrever assim. Ás tantas até escrevo, melhor que tu. Tu és Torga, eu sou Pessoa! Toma!!! =P

A sério, está suberbo. =)