quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Digressão ARCUM (1º Dia)

Já passaram 11 dias desde que chegámos a Portugal mas na memória fica uma semana de diversão, boa companhia e atuações entre os Bomboémia e a Tuna da Universidade do Minho.
Iniciámos a viagem às 00:00 do dia 23 de julho… Bem… Não exatamente às 00:00 porque demorámos algum tempo para jantar por causa de uma atuação poucas horas antes de iniciarmos viagem.
A imagem que me vem à cabeça quando me lembro da partida é uma montanha de malas, sacos, malas térmicas e muitos, muitos instrumentos. Nem sei como tudo aquilo coube na bagageira do autocarro da Barquense. Pensando melhor, não coube mesmo, já que alguns dos lugares foram ocupados com mochilas, trajes e fatos.
Saímos de Braga em direção ao sul de Portugal e por onde entraríamos em Espanha. Estávamos todos excitados com a semana que se seguia e a pensar no que iríamos conhecer, ver, desfrutar e desejosos que esta se tornasse uma semana inesquecível.
Durante a viagem houve muita boa disposição e alguma má disposição também já que algumas pessoas queriam dormir e o que outras queriam era festa. Não paravam de cantar e tocar viola. Uma das coisas que recordo é olhar para a parte de trás do autocarro e ver trajes pendurados como se fossem portas para uma área restrita, que gentilmente foi aplicada de “O Armário” onde os caloiros da tuna eram os porteiros.
A viagem durou o que me pareceu uma eternidade. Quando acordo por volta das 6:00 penso “Já estamos em Espanha”, mas quando olho pela janela, desilusão! Vejo placas com nomes de terras lusas. Volto-me para o outro lado desejoso por dormir mais umas quantas horas e só acordar em Sevilha. Obviamente que não consegui dormir como é normal. Para quem me conhece bem sabe que sendo de Barcelos acordo com as galinhas. Para distração alguns de nós começámos a cantar. José Cid, Carlos Paião, Xutos e Pontapés e Tony Carreira fizeram parte do nosso reportório.





Finalmente em Sevilha. Estávamos todos mortos por sair e passear. No entanto, quando saímos só dizíamos “Eu quero voltar para o autocarro!”. Passear debaixo de um sol de 42ºC não é propriamente fácil. Mas lá fomos nós guiados por um dos nossos que esteve um ano em Sevilha e nos mostrou alguns dos monumentos da cidade. Claro que o tempo era escasso e não podíamos visitar tudo, por isso ficámos pelo que ficava mais perto: a Santa Igreja Catedral de Santa Maria da Sé, a Giralda e o Pátio das Laranjeiras e o Alcázar Real de Sevilha.

A CATEDRAL DE SEVILHA




A Santa Igreja Catedral de Santa Maria da Sé é o maior edifício gótico do mundo. Iniciou-se em 1434 sendo o seu arquiteto o mestre Carlín. As obras terminaram em 1507, conformando a sua planta um grande retângulo, com portas em todos os lados, subdividido em cinco naves e duas fileiras de capelas laterais. Até o ano 1633 foram realizadas importantes obras das quais a mais interessante é a Sala Capitular (1558-1592, arquiteto Hernán Ruiz Jiménez). A partir de 1756 começaram as obras de isolamento dos exteriores e de restauração, terminadas em 1928.


A GIRALDA E O PÁTIO DAS LARANJEIRAS




A torre da Catedral de Sevilha (Giralda) e o seu claustro (Pátio de los Naranjos) fizeram parte da mesquita maior al-Moharrem; foi mandada construir pelo califa almóade Abu Yaqub em abril de 1172 e foi acabada pelo seu sucessor, Abu Yusuf, no dia 19 de março de 1198. Porém foi inaugurada na sexta-feira 30 de abril de 1182. Foi iniciada pelo arquiteto Ahmad b. Basso e concluída por Ali al-Gumari. No ano 1562 o arquiteto Hernán Ruiz Jiménez começou os trabalhos destinados a construir o grande campanário renascentista, terminado em fevereiro de 1569.


ALCÁZAR REAL DE SEVILHA



Residência ocasional da coroa espanhola, é o palácio real habitado mais antigo da Europa. Desde 1988 este edifício é considerado Património da Humanidade.
Não é um Palácio individualizado, mas sim um conjunto, produto das sucessivas reformas que desde os tempos do domínio islâmico diversos monarcas foram realizando até reunir a mais variada gama de estilos, materiais e influências de quantas podemos encontrar em Sevilha. Podemos ver diferentes estilos: islâmico, mudéjar, gótico, renascentista...



Podem ver AQUI mais informações sobre o restante património de Sevilha.
Depois das visitas, tivemos algum tempo para nós visitarmos o que queríamos e, principalmente, para almoçar. Formámos um pequeno grupo e andamos à procura do McDonalds. Almoçámos muitíssimo bem. Não que a comida fosse diferente da portuguesa, mas porque dentro do McDonalds estava tão fresquinho… Mas o melhor foi ver-me a almoçar com o Carlos uma sandes de panado que fizemos em casa e a beber uma coca-cola do McDonalds entro o pessoal que comprou o almoço completo lá (mesmo à Tuga!).
Depois de almoço aproveitámos para comprar algumas lembranças. Eu comprei um íman para o frigorífico (típico dos pobres xD) e um dedal em ferro trabalhado com a Santa Macarena para dar à minha mãe.
No caminho para ir ter com o resto do pessoal encontrei um Starbucks. Eu ansiava por tomar um dos famosos lates, mas em vez disso pedi um capuccino com caramelo enorme e tenho a dizer que é muito bom.
Voltámos para o autocarro e continuámos a viagem até Marbella. Mais umas não sei quantas horas de viagem que não sei precisar já que adormeci umas quantas vezes.
Finalmente na casa onde iríamos ficar a restante semana! Não sem antes nos enganarmos no caminho e termos esperado mais de 1 hora no autocarro com as cortinas corridas para que o pagamento fosse feito. Porquê as cortinas? Para que a dona da casa não visse que afinal éramos mais de 25 como tinha sido dito. Tirámos tudo da bagageira, escolhemos um quarto e arrumámos tudo. Eu fiquei a dividir o quarto com o Carlos e o Nuno e, para nossa sorte, o nosso quarto tinha um quartinho de vestir onde pudemos arrumar todas as nossas roupas, malas, mochilas, calçados e afins sem entupir o nosso quarto.
No fim de tudo arrumado qual a primeira coisa a fazer? Correr para a piscina e desfrutar antes da hora de jantar. Diverti-me com algumas amigas na piscina. Foi excelente. De seguida, jantámos arroz com peito de frango (acho eu :P) e depois de tudo arrumado iniciámos a nossa primeira noite temática. 

Noite da Toga


Claro que eu queria ser um dos que tinha a toga mais bonita e para isso passei algumas horas a coser e a criar adereços. Fiquei muito contente com o resultado final.
Éramos 35 pessoas vestidas com togas e saímos para a noite assim mesmo. Lembro-me de andarmos na rua e toda a gente olhar para nós e buzinar mas não me importava. Festa é festa.
Devemos ter andado mais de 1 hora sem encontrar um bar, ou um café onde pudéssemos parar para tomar algo. Até que eu, o Carlos e o Nuno nos fartámos de andar e decidimos voltar para casa. Ainda tentámos convencer o resto do pessoal a voltar connosco mas sem sucesso. Decidimos então regressar a casa mas pela praia que ficava mais abaixo uns 100 metros. Assim que chegámos à praia, vimos algumas festas na areia e alguns bares abertos e bastante convidativos. Só pensámos “Eles à procura de um bar na parte de cima e nós, que vamos para casa, é que encontrámos eheh!”. Durante o passeio na praia olhei para nós três e disse “Parece que nos vestimos para fazer uma oferenda à Iemanjá!”.
Saímos da praia e voltámos para a estrada onde encontrámos algo que nos chamou muito a atenção: fitas da polícia local. Eu olho para o Nuno e digo “E se colocarmos umas fitas lá em casa?”, foi neste estilo que falei! Claro que ele concordou logo todo sorridente com a partida que iríamos pregar e arrancamos alguns metros de fita. Chegados a casa, o Nuno colocou fita na porta de entrada, eu na porta principal da casa e o Carlos em algumas colunas a tapar acesso. Infelizmente não podemos dar um pequeno toque à cena que era espalhar um pouco de ketchup no chão para parecer sangue.


Como não sabíamos a que horas eles iriam chegar a casa, decidimos ir para o nosso quarto e dormir. Pouco tempo depois começámos a ouvir alguma agitação pela casa e ficámos a ouvir. Estava toda a gente apavorada a correr pela casa a pensar que tínhamos sido roubados. “O meu portátil!”, “A minha máquina fotográfica”, “A minha carteira”, foram algumas das coisas que ouvimos. Já com muita pena deles, decidimos contar que era tudo brincadeira e que não se tinha passado nada na casa.
E assim foi o nosso primeiro dia de uma incrível semana de férias em Espanha.