segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008

Receita da Vida

500 gramas de dor
500 gramas de mal
50 gramas de amor
E raiva serve de sal

4 colheres de tortura
Outras tantas de tormento
Leva uma de ternura
A simular o fermento

Muita raspa de vaidade
Um bocado de traição
A que se junta maldade
Que nos possa encher a mão

Um pedacinho de medo
Que dá a cor e o contraste
De bondade leva um dedo
De alegria quanto baste

De trabalho quanto valhas
De pratos mil para o molho
De desgraça ponha ao calhas
E de sorte ponha a olho

1/2 litro de desgosto
1 quilo de coisas más
E no fim a dar gosto
Uma pitada de paz

Mexa a massa bem mexida
Leve ao forno muito quente
E eis o bolo da vida
Que a vida serve a gente

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2008

Sinto-me confuso

Sinto-me confuso. Sinto um tornado de sentimentos no meu coração. Algo me diz que és tu a pessoa que eu espero há muito tempo mas por outro lado o meu lado racional diz-me para não me iludir. Sinto já um carinho imenso por ti mas que não consigo demonstrar, algo em mim não me deixa faze-lo, algo me retrai. Falamos há tão pouco tempo e depois do que me disses-te fiquei a pensar. Será que isto pode resultar?
Tenho medo de arriscar e de sair ferido. Não ia aguentar uma nova desilusão. Fiz asneira uma vez e não queria voltar a fazer e a perder uma pessoa tão importante para mim.
Parece que vou dar em doido com isto. É a primeira vez que alguém se declara a mim e não sei o que fazer. Sinto-me perdido, sem reacção. Quero estar contigo depois do que me escreves-te e ao mesmo tempo quero estar longe de ti para que nada nem ninguém, nem mesmo eu, possa estragar esse sentimento. Sinto-me carente de amor mas apesar de tudo fujo dele para não ser magoado.
Sinto-me confuso.

terça-feira, 5 de fevereiro de 2008

Estou Triste

Estou tão farto dos meus pais. Tão farto que ele não aceitem a minha homossexualidade. Estão sempre com coisinhas. É o meu pai com a filha do engenheiro: "Eu peço o numero da filha do engenheiro e tu falas com ela para saber os horários dos autocarros" ; "falas com a filha do engenheiro. Ela sabe". É a minha mãe: "Já estou a ver que o que se diz por aí é verdade"; "Qualquer dia tu e a Andreia namoram"; "Estou a ver que a tua avó tinha razão quanto á Andreia".
ESTOU FARTO
Será tão difícil entender que é homens que eu desejo e não mulheres?! Será assim tão difícil perceber que sinto atracção por homens?! Cada vez que isto acontece a palavra fugir parece-me ser uma palavra interessante! Só quero fugir para um sítio bem longe onde possa estar bem, confortável, sem ninguém a azucrinar-me a cabeça. Um sitio onde tenha amigos que me apoiem, que me dêem conforto, onde possa falar livremente. Amigos como os que tenho e que adoro. Viver numa casa onde não se é compreendido é mau, tão mau. Sinto-me triste, desamparado, com raiva e zangado comigo mesmo por não ter coragem suficiente de os enfrentar e dizer com todas as palavras: “EU SOU GAY, SERÁ QUE NÃO PERCEBEM ISSO? EU GOSTO DE HOMENS E NÃO DE MULHERES. POR ISSO PAREM COM ESSAS COISAS E CONFORMEM-SE DE UMA VEZ!”
As lágrimas escorrem pela minha cara sem cessar. Estou triste.

Medo

Tenho medo:
de ser posto de lado:
de ser esquecido:
de ser rejeitado:
de não ser amado;
de ser precipitado;
de ser usado;

Tenho medo do medo. Tenho medo de me precipitar nas decisões e conclusões. E se na verdade aquilo que penso sentir não for real? E se for fruto do momento? E se for um sentimento que apareceu só por estar só? Não me posso descontrolar assim... Não me posso atirar sem antes perceber se te quero por ti ou por precisar de alguém. Quero alguém ao meu lado, mas não quero magoar ninguém.
Indecisões, indecisões e mais indecisões.